Como comparar o custo total de uma máquina: grelha e exemplo a cinco anos Duas propostas para máquinas parecidas podem gerar despesas muito diferentes depois da compra. Energia, consumíveis, manutenção, instalação e paragens pesam tanto como o preço. A Comissão Europeia recomenda o cálculo do custo do ciclo de vida precisamente para comparar ofertas com preços de compra diferentes. Eis a grelha, um exemplo a cinco anos e as regras para não inventar números. A resposta curta Escreva o serviço que está a comprar (o que a máquina tem de produzir, em que condições) e abra o preço de cada proposta em três momentos: aquisição (máquina, entrega, instalação, ligações, formação), utilização (energia, água, consumíveis, operador) e fim (manutenção, peças, valor residual ou remoção). Some tudo no mesmo período, por exemplo cinco anos. Identifique a hipótese que pode inverter o resultado e teste-a. Não invente uma produtividade nem uma taxa de avarias para completar a conta: deixe-as como perguntas. A proposta mais barata na compra nem sempre é a mais económica a cinco anos. Abrir o preço em três momentos Para cada proposta, preencha as mesmas linhas. Uma linha vazia não vale zero: é uma pergunta a fazer. Momento | Rubricas | Proposta A | Proposta B Aquisição | Máquina, entrega, instalação, ligações, formação | | Utilização (por ano) | Energia, água, consumíveis | | Manutenção (por ano) | Contrato, peças | | Fim | Remoção ou valor residual | | Entrega, instalação e condições do local Os manuais de instalação, como o que a RATIONAL publica para os seus fornos mistos, mostram quantas condições o local tem de cumprir: alimentação, água, esgoto, exaustão, distâncias. Cada adaptação do local é um custo de aquisição. Peça a cada fornecedor o que fica a seu cargo e o que fica a cargo do cliente. Exemplo ilustrativo a cinco anos Com valores puramente de exemplo: a proposta A custa 18 000 € instalada, a B 21 000 €. A energia, calculada a partir dos consumos declarados e de 0,25 € por kWh, vale 4200 € por ano em A e 3400 € em B. A manutenção prevista é de 600 € por ano em ambas. Em cinco anos, A custa 18 000 + 5 × 4800 = 42 000 €; B custa 21 000 + 5 × 4000 = 41 000 €. B, mais cara na compra, fica 1000 € mais barata no período. Rubrica (exemplo) | Proposta A | Proposta B Compra e instalação | 18 000 € | 21 000 € Energia por ano | 4200 € | 3400 € Manutenção por ano | 600 € | 600 € Total em 5 anos | 42 000 € | 41 000 € A hipótese que pode inverter o resultado No exemplo, basta o preço da energia descer ou as horas de utilização diminuírem para A voltar a ser mais barata. Identifique a hipótese mais sensível e refaça o cálculo com um valor prudente. Se o resultado se inverte, a decisão depende dessa hipótese: confirme-a antes de decidir. Limites deste guia O exemplo usa números de exemplo, não preços de mercado: substitua-os pelas propostas escritas que receber. O guia não trata de amortizações, financiamento ou apoios, que mudam o resultado: fale com o seu contabilista antes de assinar. Guarde as hipóteses do cálculo junto da proposta. Erros a evitar • Comparar propostas com âmbitos diferentes. • Pôr a zero os custos que ninguém orçamentou. • Inventar uma frequência de avarias. • Usar um preço de energia diferente do da fatura. • Não escrever as hipóteses do cálculo. Não inventar a produtividade Se uma proposta promete «mais 20 % de produção», peça a base: com que produto, em que condições, medido como. Sem essa base, não a ponha na conta. O mesmo vale para avarias: em vez de inventar uma frequência, peça tempos de intervenção garantidos e ponha o custo do contrato na grelha. Para ter à mão □ Escrever o serviço que a máquina tem de prestar. □ Abrir o preço em aquisição, utilização, manutenção e fim. □ Listar as adaptações do local. □ Somar tudo no mesmo período. □ Identificar e testar a hipótese mais sensível. □ Não incluir produtividades sem base. □ Guardar a grelha com as incógnitas. Porquê comparar a cinco anos? Porque energia e manutenção podem pesar tanto como a compra. No exemplo do guia, a proposta mais cara na compra fica 1000 € mais barata em cinco anos. E se não conheço um custo? Deixe-o como pergunta na grelha em vez de o inventar, e peça-o ao fornecedor. Como tratar promessas de produtividade? Peça a base da medição; sem ela, não as inclua no cálculo. O que fazer quando duas propostas ficam muito próximas? Desempate pelos pontos que o cálculo não mede bem: prazo e qualidade da assistência, disponibilidade de peças e formação incluída. Fontes e referências Comissão Europeia — Cálculo do custo do ciclo de vida (em inglês) — https://green-forum.ec.europa.eu/green-business/green-public-procurement/life-cycle-costing_en RATIONAL — Manual de instalação iCombi Pro e iCombi Classic (em inglês) — https://portal.rational-online.com/fs4p/media/service/3_dokumentationen/icombi_pro___icombi_classik/installation_2/handbuch_1/80.06.570_iCombi_Pro_iCombi_Classic_OEM_IM_en-EN.pdf